"ó malhão malhão...."
Só para me gabar de uma nova gracinha do fuinhas: bate 3 palminhas nesta música, no tempo certo.
Fofinho!
Sábado, Novembro 07, 2009
O livro que eu gostaria de ter lido antes do Miguel nascer
Futuras mamãs, aconselho que leiam de trás para a frente esta Bíblia.
Muito do que aqui está aprendi às minhas custas, principalmente no que diz respeito à amamentação e às rotinas de sono.
Outras coisas que estão no livro não aprendi às minhas custas porque fui sensata ao ponto de seguir a minha intuição.
Muito do que aqui está aprendi às minhas custas, principalmente no que diz respeito à amamentação e às rotinas de sono.
Outras coisas que estão no livro não aprendi às minhas custas porque fui sensata ao ponto de seguir a minha intuição.
Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Ligeiramente mais bem disposta
Dormi um bocadito melhor. Mas não pensem que foi assim tãooooo melhor, o gajito fartou-se de tossir e chorar a meio da noite! "paiiiiiiiiiii...mã...avó-ó...anda"
Tirei-lhe umas fotos fantásticas, que vou postar em breve. Já sabem que o blogue fica privadinho da silva abreu nessa altura.
Bjos
Tirei-lhe umas fotos fantásticas, que vou postar em breve. Já sabem que o blogue fica privadinho da silva abreu nessa altura.
Bjos
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Não nos escapámos...
E aos 18 meses tivemos de comprar uma coisa destas:

Pronto, já está comprada a prenda de Natal do Miguel.
A parte boa é que ele está melhor.
Tirando o facto de querer jogar à bola às 4 da manhã, a noite até correu mais ou menos bem.
Terça-feira, Novembro 03, 2009
Gripe A
Não, não tenho.
Não, não vou levar a vacina. Não quero que me nasçam guelras ou um terceiro olho no meio da testa.
Sim, se tivesse uma doença crónica, como asma, problemas cardíacos, etc. levaria a vacina.
Não, se estivesse grávida e não tivesse mais nenhuma doença também não queria levar a vacina.
Sim, se estivesse grávida e tivesse outra patologia era a primeira na fila para a vacina.
Mais alguma pergunta?
Não, não acredito que a vacina tenha sido sufientemente testada.
Sim, trata-se de escolher um mal menor.
Ui, o que eu gosto de inquéritos.
Não, não vou levar a vacina. Não quero que me nasçam guelras ou um terceiro olho no meio da testa.
Sim, se tivesse uma doença crónica, como asma, problemas cardíacos, etc. levaria a vacina.
Não, se estivesse grávida e não tivesse mais nenhuma doença também não queria levar a vacina.
Sim, se estivesse grávida e tivesse outra patologia era a primeira na fila para a vacina.
Mais alguma pergunta?
Não, não acredito que a vacina tenha sido sufientemente testada.
Sim, trata-se de escolher um mal menor.
Ui, o que eu gosto de inquéritos.
Falta muito para o Verão?
Obrigada a todas pelos votos de melhoras e pelas palavras amigas.
Eis o ponto de situação:
Mãe: continua cheia de tosse.
Miguel: está cheio de tosse e rouco.
Pai: tem escapado.
Família sem dormir. Pai com vontade de ir dormir na garagem. Miguel a dormir na nossa cama (e a espetar pés nas costelas da mãe e a dar socos na cara da mãe). Gato a dormir na nossa cama. Mãe a dormir destapada todas as noites por causa de Miguel e de gato e com vontade de ir dormir no sofá.
Eis o ponto de situação:
Mãe: continua cheia de tosse.
Miguel: está cheio de tosse e rouco.
Pai: tem escapado.
Família sem dormir. Pai com vontade de ir dormir na garagem. Miguel a dormir na nossa cama (e a espetar pés nas costelas da mãe e a dar socos na cara da mãe). Gato a dormir na nossa cama. Mãe a dormir destapada todas as noites por causa de Miguel e de gato e com vontade de ir dormir no sofá.
Segunda-feira, Novembro 02, 2009
No Início era o Verbo
Hoje de manhã, a minha mãe gritou comigo,
e eu fiquei desfeito.
A minha cabeça voou para junto das estrelas.
O meu corpo perdeu-se por entre as ondas do mar.
As minhas asas voaram e só pararam na selva.
O meu bico foi parar ao cimo de um monte.
(...)
Eu queria encontrar-me,
mas os olhos estavam perdidos no Universo...
...queria pedir socorro, mas o meu bico continuava no meio dos montes...
...queria esvoaçar, mas as asas continuavam perdidas no meio da selva.
(...)
A mãe, depois de ter gritado,
tinha ido ao encontro de cada parte
de mim e, com paciência, linha e agulha,
já tinha unido quase todas.
(...)
Desculpa! - disse por fim,
a mãe que tinha gritado.
Quando a mãe grita, de Jutta Bauer
e eu fiquei desfeito.
A minha cabeça voou para junto das estrelas.
O meu corpo perdeu-se por entre as ondas do mar.
As minhas asas voaram e só pararam na selva.
O meu bico foi parar ao cimo de um monte.
(...)
Eu queria encontrar-me,
mas os olhos estavam perdidos no Universo...
...queria pedir socorro, mas o meu bico continuava no meio dos montes...
...queria esvoaçar, mas as asas continuavam perdidas no meio da selva.
(...)
A mãe, depois de ter gritado,
tinha ido ao encontro de cada parte
de mim e, com paciência, linha e agulha,
já tinha unido quase todas.
(...)
Desculpa! - disse por fim,
a mãe que tinha gritado.
Quando a mãe grita, de Jutta Bauer
Sexta-feira, Outubro 30, 2009
O que muda quando somos mães
Antes de ser mãe, gostava muito da música Tears in Heaven. Era, provavelmente, das poucas músicas do Eric Clapton que conseguia escutar, embora já então a achasse emotiva e soubesse do que falava.
Depois o Miguel nasceu.
Hoje, não consegui ouvir esta música na rádio. Mudei o posto.
Depois o Miguel nasceu.
Hoje, não consegui ouvir esta música na rádio. Mudei o posto.
Falta muito?
É só para saber se falta muito para o fim-de-semana.
Estou com uma constipação brutal...
Estou com uma constipação brutal...
Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Sem pressas
Quem teve uma casa na árvore, leu a Pipi das Meias Altas e ainda se lembra dos dias intermináveis das férias grandes sabe do que se trata. A infância das crianças de hoje é bastante diferente da dos pais: pela pressa constante, pela falta de disponibilidade para estar com elas, pelo tempo todo controlado, pela pressão de serem os melhores em qualquer coisa. Mas há quem tente pôr um travão neste frenesim, desacelerar um pouco e devolver às crianças o que a infância tem de melhor: tempo para crescer e descobrir o mundo.
O movimento Slow, que defende e procura um abrandamento do ritmo de vida actual e faz o elogio da lentidão como forma de melhor apreciar as coisas boas, também chegou à educação. «Trees makes the best mobiles» (As árvores são os melhores mobiles) foi o livro que mudou a forma de encarar a maternidade de algumas estrelas de Hollywood: Gwyneth Paltrow descobiu-o quando a sua filha Apple era bebé e a partir de então oferece-o a todas as amigas que vão ser mães. As formas mais simples de educar num mundo tão complexo atraíram também Laura Dern, Heidi Klum, Courtney Cox e Susan Welsh. Como resistir à pressão de comprar demasiadas coisas que se tornam ruído para um bebé e à tentação de estar sempre a mostrar-lhe coisas novas, a acelerar o seu desenvolvimento e as suas descobertas, são algumas das propostas deste livro.
Outra obra que contribuiu para o movimento Slow Parenting foi «What Mothers do: Especially when it looks like nothing» (O que fazem as mães: especialmente quando parecem não fazer nada), de Naomi Standler. Segundo a autora, as mães não devem encarar o bebé na lógica de mais uma lista de «coisas a fazer». Quando estão apenas a contemplar o seu filho pode parecer que estão a fazer nada, mas afinal estão a fazer o mais importante: descobri-lo, conhecê-lo e deixá-lo ser ele mesmo.
Brinquedos simples
Substituir brinquedos electrónicos cheios de ruídos e estímulos por simples pauzinhos, folhas, pedras ou conchas é um dos mais importantes conselhos do Slow Parenting. Não devemos apressar as crianças e os defensores da lentidão abominam especialmente os brinquedos que prometem ensinar-lhes rapidamente muitas coisas, seja vocabulário, uma segunda língua, ou como somar e subtrair. Não devemos esperar nem agir como se os nossos filho fossem pequenos génios que têm de fazer tudo antes dos outros. Depressa não é forçosamente bem. Cada coisa a seu tempo e sobretudo, no ritmo certo, afirmam os «slow parents».
Tempo para brincar e estar sem fazer nada
Gastar dinheiro em múltiplas actividades quase desde o berço é outras da realidades do mundo moderno contestadas pelos defensores da filosofia da lentidão e do «menos é mais» aplicada à educação. É mais importante que as crianças tenham tempo para actividades livres, não organizadas, do que tenham os dias todos ocupados com actividades estruturadas. Informática e ballet aos três anos parece muito apelativo, mas na verdade não tem vantagens nenhumas, é mais uma despesa e rouba tempo ao que é realmente importante: brincar e interagir, sobretudo com os pais.
Aliviar a pressão de pais hiper-activos
Mais recente foi a pulbicação de «Under Pressure: Rescuing Our Children from the Culture of Hyper-Parenting» (Sob Pressão: como Salvar as Crianças da Cultura dos Hiper-Pais), de Carl Honoré, um dos gurus do movimento Slow. O jornalista e autor de «In praise of Slow» (O Elogio da Lentidão), dedicou-se a analisar a forma como são educadas as crianças na nossa sociedade de consumo, onde a pressa é constante. Honoré considera os pais de hoje hiper-activos e defende que é preciso salvar as crianças desta vertigem constante e devolvê-las à infância - que deve ser um lugar de calma e de tempo a perder de vista.
O autor afirma que a principal razão para escrever este livro foi pessoal, pois precisava de arrumar as ideias de forma a alterar a sua forma de ser pai. Um dia descobriu um livro que resumia histórias infantis clássicas para que os pais pudessem lê-las em 60 segundos, na hora de deitar. A sua primeira reacção foi pensar «Boa ideia!» Então percebeu a loucura em que os pais de hoje andam, ele incluído. Era preciso mudar, a bem dos seus filhos.
Nas sua investigação, visitou creches em Itália e na Escócia, um laboratório de pesquisa de brinquedos na Suécia, escolas na Finlândia e em Hong-Kong, colégios em Inglaterra e nos Estados Unidos, clubes desportivos um pouco por todo o lado. Chegou à conclusão de que a ambição desmedida dos pais que pressionam os filhos, em todas as idades, é um fenómeno global. O livro procura mostrar como é possível encontrar um equilíbrio no ritmo de vida familiar de modo a que a infância deixe de ser uma corrida para o sucesso. A tentativa constante de dar aos filhos tudo o que há de melhor corta-lhes a possibilidade de aprenderem a tirar partido daquilo que têm. E essa é a melhor lição de vida que podem ter.
Tendo em conta o investimento de tempo, energia e dinheiro que se faz hoje em dia nos filhos, a geração de crianças actual devia ser a mais saudável e feliz de todos os tempos. Mas tal não acontece. Carl Honoré aponta a obesidade por um lado e as crianças que praticam desporto de forma demasiado intensa, por outro. Nem uns nem outros são saudáveis e felizes. E por isso nunca como hoje houve tantas crianças depressivas, ansiosas e com baixa auto-estima. Adoptar um estilo parental mais descontraído, sem pressão e sem pressa, pode parecer difícil. Mas é possível. As férias são decididamente uma boa altura para pensar no assunto.
Fonte: IOL Mãe
O movimento Slow, que defende e procura um abrandamento do ritmo de vida actual e faz o elogio da lentidão como forma de melhor apreciar as coisas boas, também chegou à educação. «Trees makes the best mobiles» (As árvores são os melhores mobiles) foi o livro que mudou a forma de encarar a maternidade de algumas estrelas de Hollywood: Gwyneth Paltrow descobiu-o quando a sua filha Apple era bebé e a partir de então oferece-o a todas as amigas que vão ser mães. As formas mais simples de educar num mundo tão complexo atraíram também Laura Dern, Heidi Klum, Courtney Cox e Susan Welsh. Como resistir à pressão de comprar demasiadas coisas que se tornam ruído para um bebé e à tentação de estar sempre a mostrar-lhe coisas novas, a acelerar o seu desenvolvimento e as suas descobertas, são algumas das propostas deste livro.
Outra obra que contribuiu para o movimento Slow Parenting foi «What Mothers do: Especially when it looks like nothing» (O que fazem as mães: especialmente quando parecem não fazer nada), de Naomi Standler. Segundo a autora, as mães não devem encarar o bebé na lógica de mais uma lista de «coisas a fazer». Quando estão apenas a contemplar o seu filho pode parecer que estão a fazer nada, mas afinal estão a fazer o mais importante: descobri-lo, conhecê-lo e deixá-lo ser ele mesmo.
Brinquedos simples
Substituir brinquedos electrónicos cheios de ruídos e estímulos por simples pauzinhos, folhas, pedras ou conchas é um dos mais importantes conselhos do Slow Parenting. Não devemos apressar as crianças e os defensores da lentidão abominam especialmente os brinquedos que prometem ensinar-lhes rapidamente muitas coisas, seja vocabulário, uma segunda língua, ou como somar e subtrair. Não devemos esperar nem agir como se os nossos filho fossem pequenos génios que têm de fazer tudo antes dos outros. Depressa não é forçosamente bem. Cada coisa a seu tempo e sobretudo, no ritmo certo, afirmam os «slow parents».
Tempo para brincar e estar sem fazer nada
Gastar dinheiro em múltiplas actividades quase desde o berço é outras da realidades do mundo moderno contestadas pelos defensores da filosofia da lentidão e do «menos é mais» aplicada à educação. É mais importante que as crianças tenham tempo para actividades livres, não organizadas, do que tenham os dias todos ocupados com actividades estruturadas. Informática e ballet aos três anos parece muito apelativo, mas na verdade não tem vantagens nenhumas, é mais uma despesa e rouba tempo ao que é realmente importante: brincar e interagir, sobretudo com os pais.
Aliviar a pressão de pais hiper-activos
Mais recente foi a pulbicação de «Under Pressure: Rescuing Our Children from the Culture of Hyper-Parenting» (Sob Pressão: como Salvar as Crianças da Cultura dos Hiper-Pais), de Carl Honoré, um dos gurus do movimento Slow. O jornalista e autor de «In praise of Slow» (O Elogio da Lentidão), dedicou-se a analisar a forma como são educadas as crianças na nossa sociedade de consumo, onde a pressa é constante. Honoré considera os pais de hoje hiper-activos e defende que é preciso salvar as crianças desta vertigem constante e devolvê-las à infância - que deve ser um lugar de calma e de tempo a perder de vista.
O autor afirma que a principal razão para escrever este livro foi pessoal, pois precisava de arrumar as ideias de forma a alterar a sua forma de ser pai. Um dia descobriu um livro que resumia histórias infantis clássicas para que os pais pudessem lê-las em 60 segundos, na hora de deitar. A sua primeira reacção foi pensar «Boa ideia!» Então percebeu a loucura em que os pais de hoje andam, ele incluído. Era preciso mudar, a bem dos seus filhos.
Nas sua investigação, visitou creches em Itália e na Escócia, um laboratório de pesquisa de brinquedos na Suécia, escolas na Finlândia e em Hong-Kong, colégios em Inglaterra e nos Estados Unidos, clubes desportivos um pouco por todo o lado. Chegou à conclusão de que a ambição desmedida dos pais que pressionam os filhos, em todas as idades, é um fenómeno global. O livro procura mostrar como é possível encontrar um equilíbrio no ritmo de vida familiar de modo a que a infância deixe de ser uma corrida para o sucesso. A tentativa constante de dar aos filhos tudo o que há de melhor corta-lhes a possibilidade de aprenderem a tirar partido daquilo que têm. E essa é a melhor lição de vida que podem ter.
Tendo em conta o investimento de tempo, energia e dinheiro que se faz hoje em dia nos filhos, a geração de crianças actual devia ser a mais saudável e feliz de todos os tempos. Mas tal não acontece. Carl Honoré aponta a obesidade por um lado e as crianças que praticam desporto de forma demasiado intensa, por outro. Nem uns nem outros são saudáveis e felizes. E por isso nunca como hoje houve tantas crianças depressivas, ansiosas e com baixa auto-estima. Adoptar um estilo parental mais descontraído, sem pressão e sem pressa, pode parecer difícil. Mas é possível. As férias são decididamente uma boa altura para pensar no assunto.
Fonte: IOL Mãe
Em fase de recuperação
Choquei de facto qualquer coisa a nível da garganta, mas quando finalmente consegui consulta (ou seja, hoje - viva o SNS!), já não tenho inflamação. Agora é só mesmo esperar que o organismo mande a expectoração toda cá para fora e estou fina.
O puto decidiu castigar o pai e aproveitou estes dias que eu tenho estado doente para acordar às 3h da manhã para o leite e às 6h berra tanto, mas tanto, que acaba por vir para a nossa cama. Claro que depois às 9h não há quem o acorde.
Este comportamento estranho deve ser saudades da mamã, hi hi hi
A minha casa parece que foi assaltada. Desde fraldas espalhadas no chão, roupa, camas por fazer, loiça por limpar e pôr na máquina...um caos! Valeu-me ter feito comida para um batalhão na segunda-feira, caso contrário acho que o marido tinha comido enlatados todos os dias.
A parte boa de tudo isto é que não tenho tido apetite e quer-me parecer que perdi uns gramas.
Always look on the brightside of life. Monty Python
O puto decidiu castigar o pai e aproveitou estes dias que eu tenho estado doente para acordar às 3h da manhã para o leite e às 6h berra tanto, mas tanto, que acaba por vir para a nossa cama. Claro que depois às 9h não há quem o acorde.
Este comportamento estranho deve ser saudades da mamã, hi hi hi
A minha casa parece que foi assaltada. Desde fraldas espalhadas no chão, roupa, camas por fazer, loiça por limpar e pôr na máquina...um caos! Valeu-me ter feito comida para um batalhão na segunda-feira, caso contrário acho que o marido tinha comido enlatados todos os dias.
A parte boa de tudo isto é que não tenho tido apetite e quer-me parecer que perdi uns gramas.
Always look on the brightside of life. Monty Python
Terça-feira, Outubro 27, 2009
A chocar
Acho que estou a chocar qualquer coisa.
Nem fome tenho (deveria estar a lanchar), o que em mim é sinal de doença.
Além de que, não conseguindo identificar nenhum sintoma em concreto, sinto-me muito, mas mesmo muito mal.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009
No Início era o Verbo
(...)
À direita do velho Gabriel, com os olhares paralelos, presos em pontos abstractos e desfocados, estavam os irmãos. Os seus olhares eram iguais, mas não viam o mesmo. Eram o mesmo olhar a ver duas coisas. Durante os meses em que estava parado, eram os irmãos que tomavam conta do lagar. Sempre juntos, sempre um ao lado do outro, envelheceram ao mesmo tempo: tinham a mesma curva nas costas, o mesmo andar pouco ligeiro e, sem que o soubessem, o mesmo número exacto de cabelos brancos na cabeça. Já tinham passado muito mais de setenta anos da manhã de puro agosto em que, ao mesmo tempo, nasceram, rasgando a mãe por dentro à sua passagem. Contavam os mais velhos, que tinham ouvido dos pais, que, assim que lhes cortaram os cordões umbilicais, a mãe os olhou e viu ainda que eram siameses. Morreu alguns minutos depois, sem dizer uma palavra. O seu enterro foi seguido por toda a vila e sentido como uma tragédia entre as maiores. Todas as pessoas da vila davam os pêsames ao pai dos irmãos, pela esposa e pelos filhos, pois todos cuidaram que crianças assim não medravam. Mas, no momento em que a mãe era enterrada, os meninos dormiam sobre três cobertores dobrados, no quarto do pai, ao lado da cama onde a mãe se esvaíra em sangue. De pele muito enrugada, os meninos dormiam, com as mãos que tinham unidas levantadas sobre o lençol que os cobria, como num orgulho inocente de serem irmãos. E, sob o olhar preocupado das pessoas, cresceram como crescem as crianças. Com os anos, muitos lhes quiseram analisar as mãos e todos se arrepiavam com o que viam: a mão direita de um e a mão esquerda do outro estavam unidas pelo dedo mindinho. Tinham as mãos muito elegantes, finas, dedos longos, mas a partir da última norça do mindinho, os seus dedos fundiam-se e terminavam numa só unha. Todos os que viam isto inventavam maneiras de os separar, mas o mais insistente foi o homem de arrancar dentes com um alicate. Inflamado, dizia conhecer homens que tinham cortado muitas pernas e muitos braços na guerra, e que tinha lido muitos livros com desenhos mesmo, e que cortar um dedo a uma criança é mais fácil do que podar uma parreira. E o pai dos irmãos perguntou-lhe e como é que eu decido qual deles é que fica sem dedo? E o homem de arrancar dentes com um alicate, imediato, respondeu que já tinha pensado nisso, o mais justo é cortar o dedo aos dois. O pai dos irmãos olhou-o por um instante e não voltou a falar com ele.
O irmãos chamavam-se Moisés e Elias. Para quem estivesse diante deles, Moisés era o da esquerda, Elias o da direita. Por um evidente motivo, Moisés era dextro e Elias era canhoto. Além desse pormenor, eram iguais em tudo. Mas, apesar de serem iguais em tudo, de se moverem com uma extraordinária coordenação e de ao olhar serem indistintos, havia uma diferença que os dividia ou que, se calhar, os unia ainda mais: Elias não falava. Ou melhor, falava, mas apenas ao ouvido de Moisés que, se fosse caso disso, se apressava a dar voz às palavras sussurradas do irmão. Desde crianças que assim era. (...)
José Luís Peixoto, Nenhum Olhar
À direita do velho Gabriel, com os olhares paralelos, presos em pontos abstractos e desfocados, estavam os irmãos. Os seus olhares eram iguais, mas não viam o mesmo. Eram o mesmo olhar a ver duas coisas. Durante os meses em que estava parado, eram os irmãos que tomavam conta do lagar. Sempre juntos, sempre um ao lado do outro, envelheceram ao mesmo tempo: tinham a mesma curva nas costas, o mesmo andar pouco ligeiro e, sem que o soubessem, o mesmo número exacto de cabelos brancos na cabeça. Já tinham passado muito mais de setenta anos da manhã de puro agosto em que, ao mesmo tempo, nasceram, rasgando a mãe por dentro à sua passagem. Contavam os mais velhos, que tinham ouvido dos pais, que, assim que lhes cortaram os cordões umbilicais, a mãe os olhou e viu ainda que eram siameses. Morreu alguns minutos depois, sem dizer uma palavra. O seu enterro foi seguido por toda a vila e sentido como uma tragédia entre as maiores. Todas as pessoas da vila davam os pêsames ao pai dos irmãos, pela esposa e pelos filhos, pois todos cuidaram que crianças assim não medravam. Mas, no momento em que a mãe era enterrada, os meninos dormiam sobre três cobertores dobrados, no quarto do pai, ao lado da cama onde a mãe se esvaíra em sangue. De pele muito enrugada, os meninos dormiam, com as mãos que tinham unidas levantadas sobre o lençol que os cobria, como num orgulho inocente de serem irmãos. E, sob o olhar preocupado das pessoas, cresceram como crescem as crianças. Com os anos, muitos lhes quiseram analisar as mãos e todos se arrepiavam com o que viam: a mão direita de um e a mão esquerda do outro estavam unidas pelo dedo mindinho. Tinham as mãos muito elegantes, finas, dedos longos, mas a partir da última norça do mindinho, os seus dedos fundiam-se e terminavam numa só unha. Todos os que viam isto inventavam maneiras de os separar, mas o mais insistente foi o homem de arrancar dentes com um alicate. Inflamado, dizia conhecer homens que tinham cortado muitas pernas e muitos braços na guerra, e que tinha lido muitos livros com desenhos mesmo, e que cortar um dedo a uma criança é mais fácil do que podar uma parreira. E o pai dos irmãos perguntou-lhe e como é que eu decido qual deles é que fica sem dedo? E o homem de arrancar dentes com um alicate, imediato, respondeu que já tinha pensado nisso, o mais justo é cortar o dedo aos dois. O pai dos irmãos olhou-o por um instante e não voltou a falar com ele.
O irmãos chamavam-se Moisés e Elias. Para quem estivesse diante deles, Moisés era o da esquerda, Elias o da direita. Por um evidente motivo, Moisés era dextro e Elias era canhoto. Além desse pormenor, eram iguais em tudo. Mas, apesar de serem iguais em tudo, de se moverem com uma extraordinária coordenação e de ao olhar serem indistintos, havia uma diferença que os dividia ou que, se calhar, os unia ainda mais: Elias não falava. Ou melhor, falava, mas apenas ao ouvido de Moisés que, se fosse caso disso, se apressava a dar voz às palavras sussurradas do irmão. Desde crianças que assim era. (...)
José Luís Peixoto, Nenhum Olhar
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